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Prevenir é o melhor remédio

  • Cuidando do próprio Motor

Se quisermos comparar o nosso corpo a um automóvel, poderemos imaginar que o nosso coração é o seu motor, o sistema vital que faz com que ele se mova. Qualquer dono de um carro sabe que este precisa de cuidados constantes, se quer que ele dure mais e preste um bom serviço.  Assim também deve ser o cuidado com o nosso coração.

Na verdade, o coração não é mais do que uma bomba, que faz circular o sangue pelo complexo e gigantesco circuito de irrigação composto por artérias, veias e vasos capilares, existente no nosso corpo (cerca de 150km de vasos principais e – pasmem! – 80000 km de capilares). Esse circuito é de importância fundamental para a manutenção da vida. Se algo falhar, seja no coração, seja nos vasos sanguíneos, o perigo de morte é iminente.

Hoje, as doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte e o principal culpado é o chamado “ataque cardíaco”.

O que é?

É um problema que surge, na maior parte das vezes, como resultado de um enfarto de miocárdio, devido às gorduras que obstruem as artérias coronárias que irrigam o coração. Um coágulo de sangue ou um sedimento de gordura podem obstruir a artéria coronária. O sangue não chega em quantidade suficiente e o músculo cardíaco não pode funcionar normalmente.

Deste modo, a parte do coração que era irrigada por esse vaso fica sem sangue e sem oxigênio, provocando uma necrose, ou seja, a morte das células.

Os sintomas mais imediatos são:

– Dor violenta que vai do tórax para o antebraço esquerdo;

– Sensação de ansiedade e angústia;

– Colapso cardiocirculatório, com queda de tensão arterial, pulso irregular, respiração ofegante e suores frios;

– Transtorno das funções renais;

– Alterações da composição do sangue;

– Perda de consciência.

O percentual de óbitos é muito elevado, rondando os 40%. Gostaríamos de salientar que o mau estado das artérias (a chamada arteriosclerose), além dos problemas mencionados, também pode provocar outros danos e doenças vasculares graves no cérebro, nos pulmões e nos membros inferiores.

Fatores importantes

Há vários fatores que são fundamentais no surgimento e agravamento dos problemas cardiovasculares. Muitos deles são de origem externa, isto é, dependem do nosso estilo de vida e das nossas opções alimentares. A hereditariedade também é um fator importante.

Vejamos então esses fatores.

O tabaco

Há uma estreita relação entre o uso do tabaco e as doenças cardiovasculares. As pessoas que fumam 20 cigarros por dia correm um risco três vezes maior de sofrerem um ataque cardíaco do que os que não fumam. A nicotina presente no tabaco tem uma poderosa ação vasoconstritora, ou seja, provoca o aperto, o estreitamento dos vasos sanguíneos, dificultando a livre circulação do sangue. Tendo em conta o elevado teor de gordura geralmente presente no sangue, e a diminuição de calibre dos vasos sanguíneos produzida pelos depósitos dessa gordura nas paredes dos mesmos, é fácil de perceber que um pequeno sedimento que surja, ou um pequeno coágulo que se forme, podem provocar uma obstrução e uma catástrofe circulatória.

Os hábitos alimentares

Como sempre é fácil observar nesse blog e nas diversas publicações sobre saúde que existem no mercado, a alimentação é fundamental para a manutenção de uma boa saúde. Já vem de longe o tempo em que os nossos antepassados cultivavam a terra de maneira artesanal e sadia. Hoje, sobretudo nos países ocidentais, há uma superabundância de alimentos, porém em grande parte “sintéticos”, ou seja, criados a base de adubos, manipulados e carregados de químicos perigosos para a saúde.

Os excessos alimentares, associados ao sedentarismo e ao ritmo de vida alucinante que temos, favorecem o aparecimento da obesidade, com o seu cortejo de problemas (diabetes, hipertensão, alto nível de colesterol no sangue, alto nível de triglicérides), bem como dos enfartes, das tromboses, dos tumores.

Mas não são somente os excessos alimentares que estão na causa, mas aquilo que se come.

Uma alimentação rica em gorduras, em sal, em açúcar e outros produtos refinados são prejudiciais ao organismo, já que alteram completamente os níveis de certos componentes sanguíneos.

Além disso, as gorduras tendem a acumular-se no organismo, assim como as calorias vazias, produto do metabolismo dos açúcares. Produz-se, assim, um desequilíbrio que vai acentuar o risco das doenças cardiocirculatórias, bem como de carências nutricionais.

A Hipertensão Arterial

Devido à diminuição do calibre dos vasos sanguíneos de que falamos acima, o sangue tem mais dificuldade em circular, e isso exige do coração um maior esforço. Ao mesmo tempo, a força exercida sobre as paredes dos vasos é maior. A essa situação chamamos hipertensão arterial.

Podemos ilustrar essa situação com uma mangueira, da qual abrimos totalmente a torneira, mas à qual apertamos a extremidade. Se chegarmos a bloquear completamente a saída da água, a mangueira pode arrebentar, ou desligar-se da torneira.

O perigo para os nossos vasos sanguíneos e para o nosso coração são os mesmos, todavia com resultados ainda mais graves. Se ocorrer a ruptura de um vaso, a morte é iminente. Se o nosso coração, demasiado cansado pelo esforço excessivo, falhar, é melhor nem pensar.

Os sintomas que revelam a tensão alta são: dor de cabeça, especialmente na nuca, com palpitações freqüentes; diminuição da resistência ao esforço; alterações do sono e dificuldade em dormir; percepção dos batimentos cardíacos a nível do peito, do pescoço e da cabeça; nos casos mais graves, dor na região cardíaca.

Como é evidente, um problema de hipertensão tem de ser imediatamente corrigido, para evitar o seu agravamento e o desenvolvimento de outros problemas ainda mais graves.

Um primeiro passo, que aconselhamos vivamente, é a eliminação de todos os estimulantes que se costuma ingerir na alimentação. Referimo-nos, especificamente, a condimentos e especiarias fortes, ao sal em excesso, açúcar, conservas, queijos, picles, frituras.

O segundo passo, tão importante como este, é eliminar os estimulantes não alimentares, ou seja, o café, o álcool e o tabaco.

Em terceiro lugar, deve-se procurar reduzir o stress, diminuindo o ritmo de vida e aliviando a tensão diária, quer através de uma atitude mental mais positiva, quer através da criação de momentos de lazer e descontração.

Em quarto lugar, reduza o seu peso até atingir o peso normal para a sua constituição física. Em quinto lugar, mas não menos importante, a pessoa que sofre de hipertensão deve recorrer aos conselhos de um médico e seguir o regime e as indicações deste.

A vida sedentária contribui muito para o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Até o início do século passado, as pessoas deslocavam-se a pé, ou sobre animais, trabalhavam a terra com esforço, as donas de casa trabalhavam duramente e comiam alimentos mais saudáveis e naturais. Hoje, o exercício físico que a maior parte das pessoas faz é tirar as compras da mala do carro e levá-las para casa. Mesmo as donas de casa, hoje têm tantas máquinas e aparelhos ao seu dispor que o seu esforço físico se reduziu muito.

É verdade que já se vêem muitas pessoas praticando exercício físico nos parques, jardins, etc. Mas ainda não é insuficiente.

Antes de começar a praticar um exercício físico, qualquer pessoa deveria fazer uma visita ao médico, a fim de avaliar a sua real situação.

Em geral, exercícios simples, como caminhar, nadar, andar de bicicleta, se forem praticados com regularidade (2 ou 3 vezes por semana), durante o tempo suficiente (pelo menos, meia hora em cada sessão) e com equilíbrio (começar com um esforço mínimo, e ir aumentando até atingir o esforço ideal), são eficazes na redução do risco. Se a este programa de exercícios, combinarmos uma alimentação saudável, será como a “cereja no topo do bolo”.

Uma coisa é certa: a inatividade é um dos principais fatores de risco das doenças cardiovasculares. E se estiver associada a um estilo de vida pouco saudável, então a possibilidade de a pessoa sofrer problemas cardiocirculatórios aumenta exponencialmente.

No entanto, uma modificação dos hábitos de vida e um aconselhamento sério proporcionado por um médico poderão alterar o quadro.

Nada como uma bela salada

Portanto, querido amigo ficam estes conselhos para que se possa desfrutar por muitos e bons anos, de um coração saudável e de um sistema circulatório sem problemas:

Faça regularmente um acompanhamento médico completo, incluindo exames específicos;

Abstenha-se de gorduras saturadas (de origem animal) e modere o consumo de alimentos ricos em colesterol;

Use lacticínios magros em vez dos que contêm gordura, ou simplesmente substitua-os por queijo de soja;

Consuma moderadamente alimentos doces, preferindo açúcares não refinados;

Consuma em abundância frutas e verduras que exercem uma ação protetora;

Consuma cereais e seus derivados integrais;

Consuma leguminosas e frutas secas regularmente;

Escolha alimentos pobres em gordura. Evite os frituras, sobremesas gordas, batatas chips, etc.;

Consuma de preferência azeite de boa qualidade, para fritar ou temperar;

Se você está habituado a comer carne ou peixe, dê preferência as brancas, e diminua a freqüencia. Tente substituí-las progressivamente por leguminosas, frutas secas, derivados de soja  e vegetais;

Pelo menos uma vez por semana, tente fazer uma alimentação vegetariana;

Siga um programa de atividade física regular, evitando esforços exagerados;

Evite, se possível, o stress prolongado, a ansiedade e as tensões, procurando ter um equilíbrio psíquico bom;

Vigie o seu peso;

Coma em horários regulares;

Evite refeições pesadas e ricas em gorduras.

E lembre-se: A qualidade da sua vida depende, essencialmente, das suas escolhas.

Uma boa leitura também vai ajudar a diminuir a ansiedade do dia a dia, com impactos positivos no controle das pulsões naturais.  Aproveito então para deixar aqui uma sugestão, a minha atual leitura – O Caminho do Meio, Como Encontrar a Felicidade em um mundo de Extremos de Lou Marinoff – Não confunda com os populares livros de auto-ajuda, pois o desafio é grande, quase 700 páginas em letras miúdas. Marinoff procura uma saída para os extremos políticos, econômicos, terroristas e religiosos de nosso tempo, após avaliar, nos primeiros capítulos, as bases onde assentar um caminho de moderação: uma revisão das religiões oriundas de Abrãao (judaísmo, cristianismo, islamismo), e as contribuições de Aristóteles, Buda e Confúcio (o ABC de Marinoff).

Apesar de o tema parecer difícil, o livro é leve, e os primeiros capítulos até parecem superficiais. É um engano, a leitura é fácil mesclando muita história e filosofia, consegue incutir no leitor dúvidas que o levarão a pensar muito tempo depois que fechou o livro.

Fraternal abraço

Hebhert Oliveira – Março 2010

  • A alimentação Natural é a farmácia

A alimentação natural é a farmácia (diga-se de passagem, “barata”) que trata da sua saúde. Mas o que poucas pessoas têm conhecimento é que substâncias que compõem determinados alimentos, chamados nutracêuticos ou funcionais, podem prevenir e até mesmo tratar de vários tipos de doenças.

Os nutracêuticos são alimentos, ou parte deles, que têm a capacidade comprovada de proporcionar benefícios à saúde, como a prevenção e tratamento de doenças. O termo nutracêutico vem de “nutri”, nutriente e “cêutico”, de farmacêutico, ou seja, alimentos que nutrem e trazem saúde. É a medicina natural tratando da saúde das pessoas e prevenindo as suas doenças.

Na verdade, todo alimento natural (aquele que não foi processado industrialmente) pode ser classificado como “funcional” já que contém, em doses variáveis, componentes essenciais à nossa saúde, como vitaminas, minerais, enzimas, fibras, etc. Porém, certos alimentos contém, além destes, outros componentes com grande capacidade protetora da saúde.

Desde  de o “tempo das cavernas”, o homem procurava os seus alimentos na natureza e aprendeu com os animais (através da observação e da experimentação) a comer os alimentos que poderiam curar as suas doenças. Daí, surgiu a fitoterapia, onde foi utilizada por pagés, magos, alquimistas, padres, terapeutas e médicos. Aliás, a indústria farmacêutica sintetizou as moléculas dos produtos naturais para produção de vários dos seus remédios.

Hoje, vemos os polêmicos transgênicos que pretendem revolucionar a cadeia produtiva. Mas existe uma pequena revolução nas prateleiras dos supermercados, onde consumidores cada vez mais conscientes e exigentes querem em suas mesas os alimentos nutracêuticos, os alimentos que trataram da saúde dos seus ancestrais. O homem cria e transforma as suas idéias, mas sempre volta as suas origens. Os antigos tinham toda a sabedoria do mundo porque estavam em contato direto com a natureza. Hoje, o chamado “homem civilizado” vive estressado, se alimentando muito mal com alimentos cada vez mais industrializados e com menos nutrientes. É a grande e bonita fruta na feira que impressiona os olhos, mas não tem gosto e não tem os seus nutrientes essenciais. E os agrotóxicos estão cada vez mais poderosos e muito mais prejudiciais à saúde do ser humano.

Mas nem tudo está perdido. Temos muitas frentes (de homens justos e de boa índole) tentando trazer aos lares dos consumidores (porque não dizer seres humanos) um produto natural e de boa qualidade. Existem algumas dicas para uma boa alimentação que são importantes de serem observadas:

* Água Mineral – A água é um dos elementos fundamentais para a existência do homem e um dos principais componentes do organismo (cerca de 60 a 70% do corpo de um adulto); ela participa da composição de todos os líquidos e células, desempenhando funções importantes no metabolismo normal, por exemplo: dissolvendo e veiculando vários nutrientes fornecidos na alimentação, assim como as toxinas e outros elementos que deram ser eliminados do organismo,regulando a temperatura corpórea etc. Muitos problemas de saúde da população são relacionadas a água (comum). São doenças provocadas por vírus, bactérias, protozoários e helmintos (“vermes”) ou por agentes químicos presentes na água, geralmente resultado da poluição. Não compre água mineral de procedência duvidosa para pagar um preço mais barato. Pense que a água é um grande preventivo das doenças. Muitas vezes, o barato sai caro. Escolha muito bem os vasilhames: eles devem ser transparentes, limpos, bem cuidados, sem arranhões, com lacre e com análise química atualizada. Vá pessoalmente conhecer a sua distribuidora de água mineral: veja o armazenamento dos garrafões, a limpeza do local, a validade do produto, o cuidado no armazenamento, etc. Não compre água mineral de postos de gasolina (ela pode estar contaminada). Os refrigerantes são considerados “água morta” por não serem naturais.

* Sal marinho – substitua o sal refinado pelo sal marinho. Como o Dr. Marcio Bontempo disse: “o sal marinho contém cerca de 84 elementos que são, não obstante, eliminados ou extraídos para a comercialização durante o processo industrial para a produção do sal refinado. Perde-se então enxofre, bromo, magnésio, cálcio e outros menos importantes, que, no entanto, representam excelente fonte de lucros. Uma industria que esteja lucrando com a extração desses elementos do sal bruto é geralmente poderosa e possui a sua forma de controle sobre as autoridades. É claro que será então dada muita ênfase a importância do sal refinado empobrecido e pouca ao sal puro, integral, abominado.” O sal marinho tem cristais maiores que o sal refinado, portanto, utilize a mesma quantidade de sal marinho (somente aguarde mais tempo para experimentar a comida – para que os cristais de sal se dissolvam adequadamente).

* Açúcar Natural – substitua o açúcar refinado pelo açúcar natural (garapa, melado, rapadura, açúcar mascavo). O melado é um dos alimentos que mais contém ferro na natureza. A cana de açúcar é originária da Índia. Uma planta selvagem que começou a ser cultivada em jardins e dela tirava-se a água de açúcar, que depois foi se transformando no próprio açúcar, considerado então um remédio, que aparecia nas receitas dos médicos orientais. Mas, o uso do açúcar como alimento começou depois, por volta do século X, na Índia e na China. Ele foi trazido pelos árabes para a Europa e no século XV já era um dos principais produtos comercializados pelos povos do Mediterrâneo. Neste período, os portugueses passaram a dominar as técnicas do fabrico do açúcar em suas ilhas atlânticas – Açores, Madeira, São Tomé e Príncipe – e logo as trouxeram para o Brasil. Nos anos de 1800, não se ouvia falar em diabetes; os escravos viviam da rapadura, farinha de mandioca e carne seca (até hoje consumida pela população carente brasileira, especialmente, dos Estados do Norte e Nordeste).

* Arroz Integral – substitua gradualmente o arroz branco pelo integral ou farelo de arroz. O arroz integral é envolto por uma película que é justamente o que o mantém integral. Esta película segura o germe do grão que juntos formam uma dupla designada farelo. Podemos então considerá-lo um alimento funcional.

O arroz branco, por sua vez, não contém esta película porque ela foi retirada no processo da refinação. Portanto, este arroz não contém farelo, não podendo ser indicado como alimento funcional.

* Farelos (de arroz, aveia, soja e trigo) – ricos em fibras. Estimulam o funcionamento intestinal, reduzem o colesterol. Os farelos são ricos em vários compostos ativos, entre eles as fibras (que estimulam o funcionamento intestinal), os fitatos (que protegem o organismo do depósito de chumbo (trabalho do Dr. Jaime-Amaya – Unicamp), os ácidos graxos insaturados, as proteínas e vitaminas B1 principalmente. Duas colheres de sopa de farelo por dia é o suficiente. Misture com leite, suco, frutas, etc no café da manhã, no almoço com o arroz e o feijão, no jantar, etc.

* Óleo de Girassol – substitua o seu óleo de soja pelo óleo de girassol. O que diferencia o óleo de Girassol dos outros óleos é a concentração de ácidos graxos. Os ácidos graxos que interessam sob o ponto de vista da nutrição, são os insaturados oléico, linolênico e linoléico, principalmente este último capaz de dissolver e eliminar o excesso de colesterol no organismo, deixando-o na taxa normal. A concentração de ácido linoléico no girassol é de 62,2% enquanto há 21,l% de óleo oléico. Essa característica, garante ao óleo de girassol propriedades altamente reguladoras nas doenças cardíacas. Procure no supermercado óleo de girassol de primeira prensagem a frio: é um pouco mais caro que os de soja e girassol comuns, mas de melhor qualidade.

* Vinagre de Maçã – substitua o seu vinagre de vinho, de álcool, etc. Este ingrediente tem a sua eficácia na redução de peso, na redução da celulite e na desintoxicação do organismo. Mas o vinagre de maçã também apresenta muitos outros benefícios para a saúde, tais como, redução do colesterol, promove uma boa circulação sanguínea, melhora o metabolismo, facilita a digestão e contribui para a manutenção de uma pele saudável. Procure o vinagre de maçã natural.

* Chá verde (green-tea) – rico em polifenóis que previnem o câncer e doenças do coração. Tome-o quente, porém, não fervendo. Todo o chá, com o passar do tempo, vai fermentando e perdendo as suas qualidades.

* Vegetais crucíferos (brócolis, repolho, couve-de-bruxelas, rabanete, couve-flor – de cor verde escuro) que possuem grandes quantidades de glicosinolatos que previnem o câncer. Procure os alimentos orgânicos – sem agrotóxicos e com muito mais sais minerais e vitaminas.

* Frutas cítricas – (ricas em limoneno) que previnem o câncer e fortalecem o sistema imunológico. A OMS recomenda comer três frutas diariamente.

* Alho e a cebola – contêm alicina e estimulam o sistema imune, são varredores de radicais livres; reduzem colesterol e triglicérides. A cebola de melhor qualidade é a vermelha. Estes alimentos protegem contra o câncer pelo seu alto conteúdo em selénio (um mineral que estimula a produção dos glóbulos brancos e induz a morte das células ruíns) e outros compostos que estimulam a produção de enzimas que neutralizam os radicais livres relacionados com o câncer.

* Produtos lácteos (iogurte, queijo, ricota) substitua o leite pelos produtos lácteos. Eles são pré e próbióticos e melhoram a flora bacteriana. O kefir (que é o coalho de leite) possui mais de 20 colônias de lactobacilos que auxiliam muito a flora intestinal.

* Linhaça (que contém lignana) – modula o sistema imune, reduz o colesterol e diminui o risco de doenças cardiovasculares. Compre a linhaça em grão, bata no liquidificador a quantidade que você vai ingerir no dia e coloque no seu suco de frutas.

Esta é uma pequena parcela dos produtos nutracêuticos e o que eles podem fazer por você, pela sua família. Sabemos que o hábito alimentar não se muda “da noite para o dia”. Mas, ele pode ser modulado e implementado no decorrer do tempo. Mude aos poucos… os benefícios serão enormes. Você estará contribuindo para que os alimentos sejam de melhor qualidade. Se o consumidor exigir, a cadeia produtiva mudará os seus conceitos. Afinal, os produtores querem atender as necessidades dos seus consumidores.

Texto extraído do site http://www.florais.com.br Prof. Josef Karel Tlach

  • Culinária para Prevenção do Câncer segundo as diretrizes da OMS

Introdução

A nutrição médica preventiva e terapêutica deve ser associada ao tratamento com seu médico assistente. Ela não substitui o tratamento médico, mas deverá associar-se a este para incrementar as possibilidades de sucesso e recuperação da saúde.

As evidências médico-científicas são fortemente conclusivas de que esta é a culinária para a prevenção do Câncer, Infarto do Miocárdio, Trombose Cerebral, Hipertensão Arterial, Diabetes, Osteoporose, entre outras doenças.

Também indicada às pessoas que já adquiriram estas doenças, por aumentar fortemente as possibilidades de sucesso no tratamento médico, diminuindo seus efeitos tóxicos, possibilitando uma reversão plena e permanente, por remover as prováveis e principais causas destas enfermidades.

A culinária pode ser muito saborosa e ter forte efeito preventivo contra o câncer e outras doenças. Isto equivale a dizer que você pode alimentar-se nas refeições, principalmente no café da manhã e lanches do seu dia-a-dia, com alimentos que irão produzir doenças no futuro, ou poderá mudar, tendo uma alimentação que, além de não causar estas doenças, tem forte efeito protetor contra elas.

Não é maravilhoso?

Este é um tesouro precioso de informações, pois a sua qualidade de vida e o seu futuro dependem delas. Estas informações foram obtidas de milhares de pesquisas internacionais, analisadas por comitês de especialistas formados pela Organização Mundial da Saúde, Fundação Mundial de Pesquisa sobre o Câncer e Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Não sabemos tudo, mas com o que sabemos podemos evitar doenças graves ao longo de nossas vidas, com grandes probabilidades.

Outros fatores de risco como o fumo, bebidas alcoólicas, sedentarismo já são amplamente divulgados.

Vamos lhe transmitir o que você não sabe.

Os alimentos que você introduz no seu corpo nas refeições poderão ter gravíssimos defeitos na sua composição, que irão ter efeito cumulativo, originando doenças graves que poderão levar à morte prematura.

Mas os alimentos corretos, a boa nutrição, além de proporcionarem o crescimento sadio de uma criança, terão também forte efeito protetor contra várias doenças.

Tanto os alimentos naturais quanto os ingredientes de pratos elaborados devem ser escolhidos baseados nas informações científicas disponíveis.

Pela manhã, devemos comer cereais integrais. Por exemplo:

aveia, pão 100% integral, bolachas integrais.

Eles têm fibras que aderem as gorduras saturadas (queijo, manteiga) impedindo sua absorção pelos intestinos, expelindo estas gorduras  com as fezes.

Esta ação é muito importante porque as gorduras saturadas contêm ácido mirístico e ácido palmítico que irão, progressivamente, obstruindo suas artérias. Uma ótima substituição para passar no pão seria a utilização do queijo de soja (tofu), que contém ácido linoleico e alfa-linoleico. Estes têm ação benéfica, protegendo suas artérias, reduzem o colesterol total, o LDL (colesterol ruim), os triglicérides, aumentam o HDL (colesterol bom).

São antiarritmicos para o coração, diminuem a viscosidade do sangue, a adesividade plaquetária e são anti-inflamatórios dentro das artérias, evitando a trombose. Facilitam a ação da insulina, evitando o diabetes, e têm ação anti-câncer.

O ácido mirístico e o ácido palmítico, componentes das gorduras saturadas dos queijos e manteiga, causam o aumento do colesterol total, do LDL (colesterol ruim), dos triglicérides, diminuem o HDL (colesterol bom), causam arritmia cardíaca, fibrilação ventricular e parada cardíaca em caso de infarto, aumentam a viscosidade do sangue, a adesividade plaquetária, causam inflamação dentro das artérias, ocasionando a trombose, aumentam a resistência à ação da insulina, ocasionando o diabetes tipo II, e são promotores do câncer.

Portanto, não há dúvidas sobre a substituição que deveremos fazer.

Outra opção é a pasta de grão-de-bico (homus), para passarmos no pão, com os mesmos efeitos do queijo de soja. O queijo de soja (tofu) deverá ser temperado com alho, sal marinho, cebolinha ou outros temperos para tornar-se saboroso.

Portanto, no café da manhã deveremos comer um pratinho com aveia, leite de soja, banana e mel.

A seguir, um sanduíche  com queijo de soja, alface, tomate, cenoura ralada, azeitonas etc. com pão 100% integral. Para beber, uma xícara de chã verde (Camelia simensis). Contém 300 a 400 mg de flavonóides por xícara. Ficou demonstrado que os flavonóides do chá verde (galato de epigalo catequina) são anti-oxidantes dentro das artérias, diminuindo o risco de trombose, e destroem células de câncer de mama.

Poderíamos complementar o café da manhã com uma fruta inteira ao invés de sucos. Na mastigação da fruta, ativaremos os térpenes (monotérpenes e quercitina), também destruidores de células cancerosas.

Para as refeições principais deveremos utilizar o arroz integral, milho, trigo, (50% do prato); feijão, ervilha, lentilha, (10% do prato); legumes e verduras com maionese do tofu (30%), peixe (10%) uma ou duas vezes por semana, frutas, nozes e sementes.

Os bolos, tortas salgadas, tortas doces, deverão ser feitos com farinha de trigo integral, aveia e leite de soja para a massa; óleo de gergelim, girassol, linhaça, em mínima quantidade , frutas, nozes, cacau para o recheio e cobertura das tortas doces, e ervilhas, milho, vegetais, atum para o recheio das tortas salgadas. Até uma pizza fica deliciosa com esta massa e a cobertura com os alimentos saudáveis.

Vamos desfrutar da boa culinária e, mas ao mesmo tempo, prevenir doenças graves com grande eficiência.

Câncer

O Câncer divide-se basicamente em 3 fases:

– Iniciação;

– Promoção;

– Progressão;

A iniciação, causada por lesão no DNA da célula, tem várias causas e muitas vezes é inevitável. São produzidas em nosso corpo diariamente 1000 a 1200 células cancerosas por dia. Estas são destruídas rapidamente pelos inibidores do câncer.

Exemplos de alguns iniciadores do câncer:

• Cigarro: contém compostos n-nitrosos, benzopirene, além de outros potentes iniciadores do câncer.

• Bebidas alcoólicas: uma dose de bebida alcoólica por dia, incluindo a cerveja, aumenta em 10% o risco de câncer de mama. Também aumentam o risco de câncer de esôfago, fígado, pâncreas e reto.

• Compostos n-nitrosos: produzidos pela flora bacteriana intestinal em conseqüência do consumo de carnes. Quanto mais carne você come, mais compostos n-nitrosos são produzidos pelas  bactérias intestinais. Os compostos n-nitrosos causam câncer, sendo também contidos no cigarro.

• Radioatividade: causa lesões no DNA. Você é irradiado quando assiste TV, trabalha com o computador ou fica muito tempo dentro de casa, devido a radioatividade dos materiais de construção.

• Aminas aromáticas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos: liberados pelas proteínas animais das carnes,  quando submetidas ao calor de frituras, assados e cozidos.

• Frituras: os óleos aquecidos a altas temperaturas liberam substâncias que causam câncer.

• Carnes defumadas: produzem hidrocarbonetos aromáticos policíclicos que causam câncer.

• Nitritos: conservantes das carnes, salsichas, lingüiças, presuntos, carnes embutidas. Combinam-se com as aminas das carnes, formando nitrosaminas, os mais potentes cancerígenos.

• Vegetais cozidos: devido a nitrosação das prolinas, produzem compostos n-nitrosos.

• Peixe estilo chinês, salgado: quando inicia a putrefação para ficar mais macio é fortemente associado ao câncer de nasofaringe.

• Aflatoxinas: contaminam o milho e o amendoim mofados, devido a contaminação por fungos.

• Ferro-heme: altos níveis de ferro-heme proveniente das carnes causam a formação de radicais livres no intestino grosso que são cancerígenos.

Estas células com câncer, produzidas diariamente em nosso corpo, foram programadas para serem destruídas pelos inibidores da carcinogênese.

Inibidores da Carcinogênese e destruidores das células cancerosas

Linfócitos T: destroem células com câncer. Para que isto aconteça, deverá haver farta quantidade de vitamina C, vitamina E, vitamina A, selênio, zinco, complexo B, ácido fólico, arginina, metionina e cisteína. Estes nutrientes são essenciais para a imunidade contra o Câncer. São fartos na alimentação proposta com cereais integrais em substituição aos cereais refinados, feijões, tofu, legumes, verduras, frutas, nozes e sementes. Na alimentação moderna, com cereais refinados, lácteos, carnes com excesso de gorduras, estes nutrientes estão geralmente em quantidade insuficiente, tornando os linfócitos T ineficientes.

Glóbulos brancos: destroem células cancerosas, porém, tem sua mobilidade diminuída na alimentação com excesso de gordura  saturada. Agrava a situação a ausência de fibras cereais, que iriam dificultar a absorção das gorduras ingeridas, provenientes dos alimentos de origem animal.

Selênio: abundante na alimentação proposta. Forma selênio-proteínas que cortam a circulação para as células cancerosas, destruindo-as. Suplementos com selênio diminuíram a incidência de câncer de próstata, em pesquisa publicada no British Journal of Urology ,1998, 40:440-446. O ideal é o selênio proveniente de alimentos e não de cápsulas. Os alimentos que contêm selênio também contêm outros fitoquímicos protetores que interagem entre si sendo ativados pela mastigação.

Também são inibidores da carcinogênese (destruidores de células cancerosas) o pentosan, o ácido glutâmico, o ácido fítico, isoflavonas dos cereais integrais, os inibidores da protease, dos feijões e sementes, a vitamina C, vitamina A, fenóis, indóis,

isotiocianatos, sulforafane, ditioltione dos legumes e verduras, a vitamina E da soja, sementes, cereais integrais, legumes, os flavonóides do chá e os térpenes das frutas.

Zinco: ativa a endostatina que corta a circulação para a célula cancerosa.

Genistein e daidzein: flavonóides encontrados somente na soja (feijão de soja, tofu). Destroem células cancerosas inibindo a topoisomerase I e II, da mesma maneira que o fazem a maioria dos quimioterápicos e de maneira diferente, suprimindo o ATP que alimenta a célula cancerosa.

Os alimentos devem ser bem mastigados, se possível em separado. Na mastigação são ativadas as substâncias que destroem o câncer, como por exemplo o isotiocianato ativado na mastigação do agrião. Preferir alimentos in natura, ao invés de sucos ou vitaminas, para serem mastigados. Quando possível, utilizar alimentos crus, ou, se necessário, cozinhá-los ao mínimo. Dessa forma, as células cancerosas serão, ou deveriam ser, destruídas.

Os exercícios físicos também são indicadores de prevenção de doenças, pois melhoram a circulação e ativam as reações químicas. As horas de sono são benéficas, bem como o contato íntimo com a natureza, como andar descalço na grama ou na areia do mar.

O câncer poderá surgir depois de muitos anos (20 anos ou mais) por deficiência dos inibidores na alimentação e pela ação dos promotores.

Promotores do Câncer

Os promotores do Câncer são as gorduras saturadas provenientes das carnes e produtos lácteos (derivados do leite, queijos e manteiga). O tempo de promoção até surgir o câncer é estimado em 20 anos ou mais. São necessários os fatores de promoção, ingeridos diária e regularmente por mais de 20 anos para se ter câncer. Em estudos experimentais em cobaia, suspendendo-se o uso dos promotores, houve regressão do câncer.

As gorduras saturadas estão contidas nas carnes de gado, frango, e em menor proporção nos peixes. Os produtos lácteos são concentradores destes promotores do câncer, desde o queijo branco, com 30% de gordura até queijos com 70%; a manteiga com altíssimas concentrações; o leite com concentração menor e a margarina. Esta, ao ser parcialmente hidrogenada para se tornar sólida, transforma-se em gordura trans (saturada).

A situação agrava-se com a deficiência de fibras em nossa alimentação. As fibras iriam aderir as gorduras dentro de nosso estômago e intestino e expulsá-las para fora de nosso corpo com as fezes.

As fibras estão contidas no arroz integral, pão, bolachas, bolos, macarrão, esfihas, pizzas, risoles, etc. feitos com farinha de trigo integral.

Mas, comemos estes alimentos feitos com a farinha branca, sem as fibras e assim, perdemos o potente efeito protetor das fibras.

Aliás, no processo de decorticação, para transformar o arroz integral em arroz branco e o trigo integral em trigo branco, perdem-se não só as fibras que estão no farelo, mas as proteínas quando é removido também o germe.

Em decorrência deste empobrecimento dos cereais, retirando-lhes os minerais, vitaminas e proteínas, a população aumentou o consumo de carnes em 50%, desde 1880, para ter proteínas. Nesta época, conseguiu-se separar o creme de leite, surgindo a indústria láctea, pois os queijos também são ricos em proteínas.

Com isto, o consumo de gorduras , que era aproximadamente 10% das calorias totais ingeridas e prevalentemente poli não-saturadas (que são as gorduras dos grãos e vegetais, benéficas), passou a 43% ou 50% das calorias  totais ingeridas e prevalentemente saturadas, que são promotoras do câncer. Com a decorticação dos cereais e o aumento compensatório no consumo de carne e produtos lácteos, o teor de fibras na alimentação, que era 30g por dia, passou a 5 ou 10 g por dia. Estas fibras iriam aderir as gorduras ingeridas em excesso, impedindo sua absorção.

Naquela época, 1850/1880, quando o câncer era extremamente raro ou mesmo inexistente (o câncer de colon surgiu em necropsias 30 anos após o início do refinamento dos cereais), as proteínas eram prevalentemente vegetais, provenientes dos cereais integrais e feijões que em conjunto forneciam proteínas completas.

Os cereais integrais nascem em espigas, e são o arroz, o milho, a aveia e o trigo. Os feijões nascem em vagem e são o feijão, a ervilha, a lentilha, o grão-de-bico e a soja.

Após a decorticação e retirada das proteínas dos cereais, as proteínas que comemos tornaram-se prevalentemente animais. As proteínas animais, pelo seu alto teor em aminoácidos essenciais, estimulam a produção do IGF-1(insulin-like growing factor– 1), que é o fator de crescimento do câncer. As proteínas vegetais (cereais e feijões) inibem o crescimento do câncer, inibindo a produção de IGF-1.

Os cânceres mais relacionados com a alimentação são os de mama, colon e próstata. Porém, os demais, senão todos, também  são influenciados pela alimentação, de acordo com Cummings (Cambridge), em pesquisa publicada no BMJ.

A alimentação que previne o câncer reduz ao máximo os fatores promotores e aumenta ao máximo os fatores inibidores. Deve ser usada pelos portadores de câncer pela vida inteira por seu forte efeito protetor, diminuindo o risco de recidivas e metástases. O tempo de promoção para o aparecimento de recidivas e metástases é de 5 anos, geralmente, se for mantida a alimentação cancerígena, isto é, se não se mudar os hábitos alimentares. As modificações que deveremos fazer  em nossa alimentação são agora fáceis de entender.

Elas também previnem outras doenças como o infarto do miocárdio, a trombose cerebral, hipertensão arterial, diabetes e osteoporose.

Antes de falarmos do cardápio para o dia-a-dia e as receitas, vamos explicar resumidamente a origem destas doenças.

Modificações Alimentares

Podemos substituir os lácteos utilizados no pão por queijo de soja (tofu). O tofu, para ficar saboroso, deverá ser temperado com alho, sal marinho, cebolinha e batido no liquidificador para passar no pão e usar em saladas.

Pode-se também usar a pasta de grão de bico (homus).

Os pães, bolachas, bolos, massas em geral deverão ser feitos com farinha 100% integral.

Os pães encontrados no mercado, chamados de integrais, têm somente 10% de farinha integral e 90% de farinha branca, chamada de especial. Portanto, teremos que fazer pão em casa até que surjam no mercado pães 100% integrais e a preços normais.

Utilizar no desjejum também aveia, granola, leite de soja, mel e frutas.

Substituir o arroz branco pelo integral. Utilizar, em todas as refeições, feijões, legumes e verduras, frutas, nozes e sementes como a de gergelim.

Nas receitas de doces e tortas salgadas, utilizar óleo de gergelim, girassol, linhaça, macadâmia, canola. São sementes ricas em gorduras poli não-saturadas que contêm ácido linoleico e alfa-linoleico, geralmente extraídos a frio, 20 graus, o que não altera a estrutura química da gordura.

Porém, mesmo estas gorduras extras que se acrescentam na alimentação devem ser o mínimo possível, pois quando a ingestão de gorduras saturadas é baixa, as gorduras poli não-saturadas em excesso também são promotoras do câncer.

Nos produtos doces pode-se usar tanto o açúcar mascavo como o mel. O teor em aminoácidos (que formam as proteínas) é similar. O inconveniente do mel é o preço. O açúcar mascavo deve ser de boa procedência, evitando-se os que possam estar adulterados.

O açúcar, mesmo o mascavo, deve ser usado o mínimo possível para que possa manter o sabor agradável dos bolos e tortas. Dar preferência ao mel.

O mesmo com relação aos ovos, fonte de colesterol. Quando os produtos lácteos são substituídos e as carnes restringidas, a OMS libera a utilização de ovos em quantidades mínimas, duas vezes por semana, em preparados culinários, mas não os fritos ou como omelete, pois estes aumentam o risco de câncer de pâncreas.

Em breve colocaremos aqui a sugestão de cardápio para o dia-a-dia e posteriormente as receitas, de acordo com o cardápio montado pelo Dr. Federman para a prevenção do câncer, a adesão ao cardápio poderá abranger maior parte das refeições e as receitas liberadas. Para os portadores de câncer, a adesão ao cardápio deverá ser de 100% assim como às receitas de uso esporádico, com exceção dos patês de tofu e pasta de grão de bico que são liberados.

Fonte: Culinária para prevenção do Câncer – Dr. Sidney Federman

Hebhert Oliveira – Natureza Celestial

  • PROFECIA AUTO-REALIZÁVEL

Acreditar que a sua memória piora à medida que você envelhece, pode de fato ser uma profecia auto-realizável, concluíram pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (EUA).

Eles descobriram que os idosos que acreditam que as pessoas mais velhas se saem pior nos testes de memória, têm de fato notas muito abaixo daquelas de idosos que não aderem a esses estereótipos negativos sobre o envelhecimento e a perda de memória.

A equipe do Dr. Tom Hess demonstrou, num estudo publicado no exemplar de abril do jornal médico “Experimental Aging Research”, que a capacidade dos idosos em se lembrarem das coisas piora quando os estereótipos negativos são “ativados” em determinadas situações.

A memória também apresenta declínio nos idosos que acreditam serem menos favorecidos por causa da sua idade. Os pesquisadores descobriram que os efeitos negativos sobre a memória foram maiores nas pessoas com níveis de educação mais elevados.

“Essas situações podem ser parte da experiência diária dos idosos. Estarem preocupados com o que as outras pessoas pensam deles no trabalho, acaba por ter um impacto negativo no seu desempenho, reforçando assim os estereótipos negativos”, diz o médico.

O lado positivo das conclusões é que os idosos que têm uma visão mais positiva do envelhecimento, ou que não se sentem estigmatizados, apresentam um desempenho de memória muito superior.

Diário da Saúde

  • A LIGAÇÃO MENTE-CORPO

Muitos doentes com fibromialgia relatam que os sintomas começaram depois de um período estressante ou de um acontecimento traumatizante. Como resultado, aliviar a dor física começa muitas vezes pela cura da dor emocional. Para chegar ao cerne da questão, os doentes podem fazer um apontamento sobre os acontecimentos anteriores à sua doença, relatar as suas experiências, falar com um conselheiro de confiança e orar e meditar.

Self Healing

  • PRESERVE SEU CEREBRO COM NUTRIENTES

Alimente o SEU CÉREBRO!

Use os alimentos em benefício de seu cérebro e garanta sua saúde, memória e vitalidade.

Em vez de pratos e talheres, tubos de ensaio e microscópios. O apetite fica aguçado, mas por experiências e novas observações. E a cozinha cede espaço ao laboratório, onde cabeças investigam substâncias encontradas nos alimentos capazes de beneficiar nossa massa cinzenta. Como entrada, nesse menu de novidades, é bom lembrar que, nos anos 1990, os cientistas descobriram que, diferentemente do que se imaginava, os neurônios se reproduzem ao longo da vida toda. O nascimento de células nervosas novinhas em folha é chamado de neurogênese. E deguste esta informação, caro leitor as refeições podem estimular esse fenômeno, assegurando funções nobres, como a nossa capacidade de memorizar e raciocinar.

No Brasil, talvez ninguém entenda mais desse elo entre nutrição e cérebro do que o professor Cícero Galli Coimbra, neurologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Uma dieta rica em colina, nutriente que aparece sobretudo na gema do ovo, contribui para a neurogênese, exemplifica o especialista. Nosso organismo, diga-se, depende totalmente dos alimentos para obter a substância, já que não consegue sintetizá-la. E, sem ela, as lembranças não se fixam direito. Se não ingerimos boas fontes de colina, não há produção de um neurotransmissor chamado acetilcolina, envolvido na formação da memória, completa a nutricionista Luciana Ayer, co-autora do livro Nutrição Cerebral (Editora Objetiva).

Outra substância pede a atenção dos que querem conservar a mente: a glutamina. Ela é fundamental para compor o DNA, isto é, o material genético de novas células na massa cinzenta. O organismo até consegue fabricar esse aminoácido. Mas não basta. Para mantê-lo em níveis ideais, precisamos de alimentos protéicos. Aí a melhor fornecedora é a clara de novo, o ovo!

E, assim como quem deixa para saborear a melhor parte da refeição por último, falta apontar o mais aplaudido dos ingredientes para preservar a atividade cerebral: o ômega-3. Esse ácido graxo não só favorece o nascimento de neurônios como protege os já existentes. Ele se incorpora às membranas das células nervosas que formam os circuitos responsáveis por funções como a memória, explica o neurologista Greg Cole, diretor do Centro de Estudos sobre Mal de Alzheimer da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Em vez de pratos e talheres, tubos de ensaio e microscópios. O apetite fica aguçado, mas por experiências e novas observações. E a cozinha cede espaço ao laboratório, onde cabeças investigam substâncias encontradas nos alimentos capazes de beneficiar nossa massa cinzenta. Como entrada, nesse menu de novidades, é bom lembrar que, nos anos 1990, os cientistas descobriram que, diferentemente do que se imaginava, os neurônios se reproduzem ao longo da vida toda. O nascimento de células nervosas novinhas em folha é chamado de neurogênese. E deguste esta informação, caro leitor as refeições podem estimular esse fenômeno, assegurando funções nobres, como a nossa capacidade de memorizar e raciocinar.

No Brasil, talvez ninguém entenda mais desse elo entre nutrição e cérebro do que o professor Cícero Galli Coimbra, neurologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Uma dieta rica em colina, nutriente que aparece sobretudo na gema do ovo, contribui para a neurogênese, exemplifica o especialista. Nosso organismo, diga-se, depende totalmente dos alimentos para obter a substância, já que não consegue sintetizá-la. E, sem ela, as lembranças não se fixam direito. Se não ingerimos boas fontes de colina, não há produção de um neurotransmissor chamado acetilcolina, envolvido na formação da memória, completa a nutricionista Luciana Ayer, co-autora do livro Nutrição Cerebral (Editora Objetiva).

Outra substância pede a atenção dos que querem conservar a mente: a glutamina. Ela é fundamental para compor o DNA, isto é, o material genético de novas células na massa cinzenta. O organismo até consegue fabricar esse aminoácido. Mas não basta. Para mantê-lo em níveis ideais, precisamos de alimentos protéicos. Aí a melhor fornecedora é a clara de novo, o ovo!

E, assim como quem deixa para saborear a melhor parte da refeição por último, falta apontar o mais aplaudido dos ingredientes para preservar a atividade cerebral: o ômega-3. Esse ácido graxo não só favorece o nascimento de neurônios como protege os já existentes. Ele se incorpora às membranas das células nervosas que formam os circuitos responsáveis por funções como a memória, explica o neurologista Greg Cole, diretor do Centro de Estudos sobre Mal de Alzheimer da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Como tudo no nosso organismo, o sistema nervoso necessita de um equilíbrio entre proteínas, gorduras e, claro, carboidrato. O cérebro consome grande quantidade de glicose, justifica Paulo Caramelli, coordenador do Departamento de Neurologia Cognitiva da Academia Brasileira de Neurologia. Daí a importância de comer pães, massas e arroz. Eles seriam uma espécie de combustível dos pensamentos. Já as proteínas fornecem a base para a síntese dos neurotransmissores, essenciais para a comunicação entre os neurônios.

Entre as gorduras, reina o ômega-3. Ele melhora a função cognitiva, afasta o mau humor e diminui a ansiedade, garante o médico americano Alan Logan, autor do livro The Brain Diet (A dieta do cérebro). O pesquisador Greg Cole nota que, sozinho, o ômega-3 ajuda, mas, para tirar máximo proveito, é preciso ingerir fontes de antioxidantes. Sem elas, o cérebro fica à mercê de radicais livres, que detonam seus neurônios, afirma. No caso, os alimentos indicados são os vegetais cheios de betacaroteno (cenoura e rúcula) e de flavonóides (soja e cebola). E há ainda a maçã, lotada de substâncias anti-radicais.

As frutas cítricas, ricas em vitamina C, também têm ação antioxidante, lembra a nutricionista Gláucia Pivi, do Ambulatório de Neurologia do Comportamento da Unifesp. Outra vitamina que protege o cérebro é a E, encontrada nos óleos vegetais, nos ovos e nas nozes. Ela está associada à baixa incidência do mal de Alzheimer, diz Caramelli.

As do complexo B são igualmente importantes para a saúde mental. A B1, presente nos grãos, nas verduras e nos cereais, garante a boa absorção da glicose de que o cérebro tanto precisa. Já a B12, que está no leite, em seus derivados e nos ovos, favorece a memória. E o ácido fólico das verduras verde-escuras e dos cereais integrais freia o declínio cognitivo que vem com a idade, afirma Logan. A letra D fecha o bloco dessas vitaminas. Embora seja obtida pra valer por meio da exposição ao sol, dá para complementar a dose com peixes e leite. Ela também atua na renovação dos neurônios, assegura Cícero Galli Coimbra.

No time dos minerais, a nutricionista Luciana Ayer destaca o zinco e o magnésio. O primeiro que aparece nas ostras, nas nozes e na castanha-do-pará combate os radicais livres e beneficia o trabalho dos neurotransmissores. O magnésio, encontrado nas folhas e nas oleaginosas, auxilia nas transmissões nervosas e ainda protege o cérebro do efeito tóxico de aditivos químicos.

A contrapartida é a seguinte: assim como alguns nutrientes são aliados do cérebro, outros representariam uma ameaça, tendo sua parcela de culpa na degradação das células nervosas. Ainda na década de 1990, foram identificados compostos químicos formados durante o cozimento das carnes branca e vermelha as aminas heterocíclicas. Os portadores de males como o Parkinson e o Alzheimer apresentavam níveis bem mais elevados dessa substância no organismo, conta o neurologista Cícero Galli Coimbra. As aminas se unem ao cromossomo do neurônio e desligam alguns genes fundamentais para a célula, que se degenera. Isso, aos poucos, afeta a capacidade de pensar e de recordar as coisas mais simples.

Quanto maior o tempo em que a carne fica exposta às altas temperaturas, maior a quantidade das nefastas aminas. Naquele churrasco bem passado, os teores chegam às alturas. Não à toa, Coimbra cita Buenos Aires: a capital argentina, que ama uma parrilla, apresenta um dos maiores índices de portadores de Parkinson do planeta.

É claro que ninguém vai sentir os efeitos nocivos logo depois de ir a uma churrascaria. Eles são cumulativos, ressalva o professor. A quantidade de carne consumida ao longo da vida pode determinar o aparecimento de doenças neurodegenerativas no futuro. O médico, por sinal, é radical: sugere aboli-las do dia-a-dia e ele próprio segue à risca sua recomendação, baseada em estudos científicos. Dos animais, para Coimbra, só o peixe está liberado, e, melhor ainda, se for cozido ao vapor, ensopado ou mesmo cru.

Alguns de seus colegas não condenam a carne de vez, até porque é grande fornecedora de proteínas e vitaminas. A sugestão é moderar o consumo da vermelha, diz Paulo Caramelli. Para Rubem Guedes, professor de neurofisiologia da Universidade Federal de Pernambuco, comer bife grelhado no dia-a-dia, mas sem exagero, não representa risco. Açúcar também pede parcimônia. Em excesso, ele leva a pequenas inflamações no cérebro que danificam os neurônios, conta Alan Logan. Montar um cardápio que tire um pouco do espaço dos doces e, em compensação, privilegie os ingredientes que alimentam a cabeça é a melhor idéia especialmente para quem pretende ainda ter muitas delas e por muitos anos.

por Diogo Sponchiato para revista Saúde

  • O Futuro do Corpo – Luciana Ayer

“O que é ter saúde no mundo contemporâneo?” – Esta frase deu nome e tom à palestra que a nutricionista Luciana Ayer realizou na CPFL Cultura em Campinas. Derrubando inúmeros mitos sobre alimentação e sobre os nossos cuidados com o corpo, Luciana mostrou que levar uma vida saudável é mais simples do que se pensa – de fato, é abandonar o industrializado pelo natural, o complicado pelo simples. Veja mais detalhes em entrevista concedida à CPFL Cultura.

É mais difícil ter saúde no mundo contemporâneo do que era no passado?

Eu acho que sob um aspecto sim. Por um lado, a gente tinha problemas que não temos mais hoje. As pessoas morriam mais cedo porque não tinham acesso à higiene e a cuidados médicos, hoje isso praticamente não existe, mas a gente está se intoxicando muito com excesso de substâncias químicas na alimentação e excesso de remédios. Hoje ninguém espera o tempo de a gripe se curar com um chá, um suco e repouso, pois precisamos ficar bem logo para voltar a trabalhar, então tomamos muitos remédios. Isso faz com que a gente fique cada vez mais inflamado e demandando mais remédios. Então não acho que estamos mais saudáveis, embora ganhamos mais tempo de vida.

Se, com todos os benefícios que temos hoje, nós tivéssemos também uma alimentação mais saudável, será que poderíamos viver mais ainda?

Acho que poderíamos viver melhor. Na verdade não depende só da alimentação, não é? Claro que a alimentação é a minha praia e eu enfoco muito isso, mas eu vejo também que as pessoas não dormem mais direito, não fazem exercícios, ou, se fazem, elas exageram, pegam no pesado, com aquela obsessão de recuperar o que perdeu, as pessoas não se espiritualizam mais, não se olham mais, não se cuidam umas às outras… Então eu acho que tudo isso, associado a uma alimentação tóxica como temos hoje, é o que faz com que a gente não esteja vivendo bem. Eu acho que a questão não é viver mais, e sim: como estamos vivendo? Às vezes eu recebo pessoas muito jovens, se queixando de coisas como fadiga, inflamação de repetição… Enfim, com coisas que você não acredita que estejam acontecendo com uma pessoa de 25 anos.

E quais são os outros pontos que devemos adaptar para viver a vida com mais qualidade?

São esses pilares de sustentação. Podemos falar da nutrição, onde temos a nutrição física, que é a alimentação, e a respiração. A qualidade de nosso sono, porque é nesse período que a gente ‘varre’ as substâncias tóxicas do cérebro, depois de um dia de produção. Precisamos do sono para eliminar os radicais livres e toxinas do cérebro. Também precisamos nos mexer um pouquinho, fazer exercícios de preferência em contato com o Sol. Hoje temos, por exemplo, uma altíssima incidência de baixa vitamina D, porque as pessoas não pegam mais Sol, e a vitamina D tem uma relação direta com a sustentação da massa óssea. Então, se a gente faz exercícios ao Sol, estamos fazendo as duas coisas: a manutenção óssea, associada à vida, porque a vitamina D não só fixa o cálcio nos ossos como também ajuda na prevenção de doenças neurológicas, câncer etc. Então, são quatro pontos: nutrição, sono, exercícios e aquela quarta vertente que é a ‘psíquica, emocional e espiritual’, da qual a gente se esqueceu no meio do caminho. Precisamos cuidar dos pensamentos, já que os pensamentos geram emoções, e essas podem gerar doenças, quando são negativas. Já está comprovado que os pensamentos são capazes de modular as nossas células.

Você acha que as pessoas estão começando a entender que a saúde delas depende de uma atenção a todas essas coisas?

Eu acho que sim, porque por mais que a gente tenha vivido por tantos anos nessa contramão, tomando muitos remédios, sem procurar tempo para cuidar da alimentação, ou para fazer uma fisioterapia… As pessoas estão entendendo que essa atitude não é eficaz, então elas começam a buscar alternativas. Tão importante quanto sabermos o que comer é saber o que não comer. Esse é o grande ponto nevrálgico hoje. Nós estamos comendo muita coisa tóxica… E o que é comer bem, afinal? Na verdade todo mundo sabe que temos que aumentar frutas e vegetais, teoricamente as pessoas não precisariam de um profissional para dizer isso. O problema é que as pessoas estão confusas, pois a indústria faz isso com a gente, o governo faz isso com a gente… Elas estão confundindo o que é alimento, estão comendo coisas sintéticas no lugar de comida. Por exemplo: você diz a um idoso que ele não pode jantar, ele precisa comer um pão light, com uma fatia de blanquet light, com uma sopa pronta, porque tem baixa caloria… Mas você não deu a ele um ovo, feijão, ele não comeu comida, apenas um monte de produtos sintéticos.

Esse consumo de alimentos industrializados, ou ‘sintéticos’, como você diz, é um resultado de uma demanda da população por comida rápida ou ele começou a partir de uma pressão da indústria?

Eu acho que são as duas coisas, uma alimenta a outra. A indústria faz aquilo que ela está percebendo que é uma demanda, então, sem dúvida nenhuma que no mundo atual, o prático o rápido e objetivo é o que determina aquilo que você vai comprar. Em contrapartida, eu acho que existe uma certa falta de bom senso das pessoas, porque a gente está comendo coisas que não são comida. A indústria vende a idéia de que uma sopinha em pacote, por exemplo, é comida, mas não é! É um monte de coisas sintéticas… Ela pode até ter um ingrediente alimentar ali, mas no final das contas é um conjunto de glutamato monossódico e conservantes, que fazem que tudo fique relativamente palatável para você consumir, com a idéia de que aquilo substitui uma refeição.

É verdade que a dieta vegetariana não contém todos os nutrientes que precisamos para viver com saúde?

Depende do tipo de vegetarianismo de que estamos falando, pois existem três vertentes: o ovo-lacto, que consome ovos e laticínios; o lacto, que só consome laticínios e o vegan, que não come absolutamente nada de origem animal. Com o ovo lacto e o lacto, nós não teríamos grandes preocupações nutricionais, mas com o vegan, temos que ficar atentos com a vitamina B-12, que tende a ser deficiente nesses indivíduos, pois a vitamina B-12 em grande parte vem dos alimentos de origem animal. Mas é curioso, porque eu costumo solicitar vitamina B-12 nos exames dos meus pacientes, e eu tenho visto deficiência de B-12 em gente que come carne todo dia. E sabe porque isso acontece? Porque, para ser absorvida, a vitamina B-12 precisa de uma proteína chamada fator intrínseco, que é fabricada pelo estômago. Essa proteína envolve a vitamina B-12 e elas chegam junto ao intestino para que a vitamina seja absorvida. Essas pessoas que não produzem o fator intrínseco, geralmente são pessoas que têm ulcera, gastrite ou usam remédios há muitos anos. Isto é, o importante é se alimentar e se cuidar bem.

  • Os verdadeiros inimigos de nosso corpo

Os verdadeiros inimigos de nosso corpo são nossos pensamentos negativos. Creio que essa seja uma afirmação mais do que verdadeira e facilmente verificável.

MENS SANA IN CORPORE SANO, já diziam os romanos. Ou seja, se a mente é saudável, o corpo também será saudável. Então, por que este conhecimento foi se perdendo? Por que continuamos achando que nossos inimigos estão fora de nós? Acreditamos nos vírus, nas bactérias que causam infecções e febres… Será que não percebemos que somos nós que nos predispomos às doenças porque nosso corpo está em desarmonia funcional?

O ocidente afastou-se do pensamento holístico quando começou a examinar o homem em partes e não como um todo. Porém o homem vive de forma integrada com o meio ambiente e é dele que retira sua subsistência. No século passado demos um salto enorme rumo ao desenvolvimento industrial, porém criamos cidades caóticas que, apesar de aparentemente desenvolvidas, não nos transmitem serenidade, harmonia e equilíbrio!

O mundo material é um palco onde os pensamentos e as imagens do subconsciente tomam forma física. Se o mundo em que vivemos é caótico, teremos uma vida caótica e consequentemente adoeceremos. Quando nossos pensamentos se tornam caóticos, negativos, desarmônicos, nosso cérebro secreta substâncias inerentes a esses pensamentos, que são chamados de neuropeptídeos. No entanto, esses neuropeptídeos também são produzidos pelo cérebro quando temos pensamentos positivos, quando sentimos felicidade, alegria. O que a ciência descobriu nas últimas décadas foi que na membrana de cada um dos linfócitos que defendem o corpo de bactérias, vírus, fungos, parasitas, câncer e de todas as enfermidades, existe um ponto concreto de carga que recebe os NEUROPEPTÍDEOS. A conclusão dessa descoberta é que:

“O que importa ao sistema imunológico é aquilo que pensamos, pois o neuropeptídeos transmitem as informações de nosso cérebro, não importando sua qualidade”. Uma outra afirmação importante é que o cérebro só cria a doença que conhece e nosso temor em ter uma doença é o precursor da criação dela. Vocês repararam como funcionou o medo da gripe suína: quanto mais as pessoas eram vulneráveis às informações da mídia, (que informavam diariamente sobre a evolução da doença e sua mortandade), cada vez mais gente ia para os postos de saúde acreditando ter a doença! A mente humana é altamente influenciável! Devemos lembrar, portanto, que somos responsáveis pelos nossos pensamentos e sentimentos mais íntimos. As palavras -proferidas ou não-, nos afetam mais do que armas. Uma ofensa pode nos matar, porque tudo isso deprime nosso sistema imunológico. Um pensamento negativo mata mais do que uma arma!

Já constatamos que o nosso sistema imunológico fica algum tempo escutando nossos monólogos internos (de raiva, mágoa, ofensas, desamor, falta de afeto, inveja, desanimo), gerados por nosso cérebro. Aos poucos os neuropeptídeos levam essas informações a cada célula, a cada órgão do nosso corpo que acabará respondendo com uma ação concreta a estas pragas danosas que irão minando seu bom funcionamento. Então surgirão dores e doenças.

É por essa razão que é muito difícil reverter o quadro negativo para substituí-lo por um quadro positivo. A Lei da Atração funciona só se conseguimos retirar as afirmações negativas ao mesmo tempo em que instalamos as afirmações positivas. Já vi casos em que as pessoas me perguntam a razão da dificuldade de instalar a Lei da Atração em suas vidas. Essa é a explicação mais simples que posso dar: o método usado não é correto! Por essa razão, a meu ver, a EFT é realmente um achado ‘mágico’, pois elimina primeiramente a interrupção energética causada pela emoção negativa, reestabelece a energia de forma a levar a informação positiva ao cérebro. A EFT é muito prática porque é rápida e não requer reviver eventos traumáticos fixados na memória. Não requer pílulas e nem medicamentos: no máximo um floral pode ajudar na ‘sintonia fina’. Requer uma ou poucas consultas, dependendo dos casos. A medicina ocidental se baseia no corpo orgânico e químico para procurar a cura das doenças, mas a medicina oriental sempre baseou suas pesquisas no corpo sutil para encontrar a cura. Por essa razão pesquisou o sistema dos meridianos que nada mais é o caminho que as energias seguem ao longo do nosso corpo. Quando essa energia é interrompida por pensamentos e emoções negativas, o corpo adoece imediatamente: surge a dor. Quando a energia cessa de fluir: nós morremos. Simples assim.

No consultório costumo, porém, ir além da simples ‘supressão da dor’ porque eu acredito que se existe uma mensagem por trás da dor, então devemos compreender essa mensagem para não repetir o erro, não repetir o padrão. Caso contrário, nosso espírito não estará aprendendo nada e não evoluirá! O comportamento padrão é muitas vezes fruto de nosso sabotador interior. Existem frases, pensamentos, ditados, que ouvimos nossos pais falarem desde criança. Eles ficam impregnados de tal forma no nosso pensamento, que influenciam totalmente nossa maneira de ver o mundo. Todos nós temos uma série de bordões vindo de comerciais, músicas, assuntos da escola, que ficaram gravados em nossa mente desde a infância. Basta começar a música e você lembra logo da letra. Basta iniciar o bordão e você saberá completar. Tudo isso por causa da repetição. Grandes comunicadores e professores sabem utilizar bem essa ferramenta. Só que, normalmente, essas frases são negativas, cheias de ‘você não pode’, ‘você não é capaz’, ‘você será castigado’! Eu tive uma educação rígida em colégio de freiras na Itália e minha mente vivia cheia desses ‘você não pode porque será castigado’! E a idéia do pecado, então, que tolhe nossa liberdade de escolha! Deus é amor e é somente amor, por isso a única verdade é que somente o amor cura! Amor por você mesmo, amor pelo seu próximo: este é o lema. A razão pela qual a frase afirmativa do EFT usada para reestabelecer a energia é “Apesar de eu estar com ‘essa dor’ eu me amo e me aceito profunda e completamente”; é exatamente porque precisamos afirmar para nossa mente que nós amamos de forma incondicional. A ‘reversão psicológica’ é causada pela nossa baixa auto-estima, pela falta de amor próprio. Só que nós podemos escolher inverter a polaridade e deixar fluir livremente a energia, reestabelecendo o equilibro energético do corpo. A frase positiva, instalada na mente ao mesmo tempo que a ativação dos meridianos (em pontos escolhidos) reestabelece o caminho da energia, acaba fazendo o ‘reparo’. Quando escrevi o artigo “Suas crenças se tornam seus pensamentos” eu desconhecia a técnica de EFT e por isso me conectei com meu EU Interior através da meditação da Cabala. Essa é uma opção válida, como é valido rezar, meditar, perdoar, usar terapias alternativas, fazer análise: cada um escolha seu caminho. Eu mergulhei de cabeça na técnica de EFT e a uso dessa maneira: elimino a dor, alivio a doença, conserto a instalação elétrica do meu corpo e depois vou procurar compreender a emoção que originou aquela dor ou aquela doença, usando a astrologia que é minha ferramenta. Desta forma eu fecho o circulo do aprendizado espiritual, consciente de que, se meu espírito aprendeu a lição por trás da dor, eu não irei repetir o padrão.

Uma semana cheia de Luz e livre de emoções negativas!

Graziella Marraccini – Para o site Somos Todos Um

  • Conhece-te a ti mesmo
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Decifra-me ou devoro-te

“Que a morte não me encontre um dia, solitário e sem ter feito o que  eu queria”.  O padre Fabio de Melo foi muito feliz ao inserir essa estrofe em uma de suas belas músicas. Acabo de ver esse sábio homem ser entrevistado na TV e falando de alguns temas e entre os quais estava a dor. Sem qualquer julgamento apenas esperei o término do colóquio, e sem questionar minha alma, aceitei a imagem que chegava.

O homem passa boa parte da vida em busca de conhecimento,  vendo no sentido bem amplo esse conhecimento começa em casa, passa pela escola, por uma religião, vai para sua atividade profissional, alcança a vaidade e todos os nossos vícios e por ai vai, mas o conhecimento mais importante para a nossa vida fica relegado e esquecido, o autoconhecimento. Sim, esquecido, pois em um dado momento você olha do seu lado e se dá conta que todo esse saber não foi suficiente e pior, percebe que tantos outros também chegaram ao mesmo lugar, são iguais a você, você passou tanto tempo e não passou da média geral. Parafraseando outro filósofo você se dá conta que sabe mais do que deve e menos do que deveria saber.

Escutei certa vez de um místico algo que me fez refletir bastante, “a educação humana é feita para a média geral e nunca passará disso, pois uma mudança de nível só se dará em um nível superior”.

Em Luz no Caminho, Mabel Collins ensina: “Observa intensamente toda a vida que te rodeia. Aprende a olhar inteligentemente os corações dos homens. Observa com muita seriedade o teu próprio coração. Estuda os corações dos homens a fim de que possas conhecer este mundo em que vives e do qual desejas fazer parte“.

Parece até simples, mas infelizmente não o é, desde a filosofia de Sócrates, passando pelas escolas iniciáticas e filosóficas, sem falar nas religiões até os dias de hoje com o próprio Fabio de Melo, milhares de autores já se debruçaram sobre esse tema, que se de uma lado é fascinante de outro é  misterioso. Agostinho de Hipona escreveu “apenas aquilo que é decidido de dentro para fora é autêntico e pode nos libertar”, sendo assim a posse da verdade consiste em uma operação não apenas vital, mas pessoal, em que o conhecimento permitirá ao ser, relembrar a verdade adormecida em sua alma. Nessa verdade surge uma consciência diferente, na qual não há separação entre o “eu” e o outro.

Daí advém não o conhecimento, mas a sabedoria. Ela é diferente do conhecimento em todos os aspectos. Conhecimento, no sentido usual do termo, é conhecimento de fatos. É apenas acumulação de informações e não exige que a ação esteja de acordo com os fatos ou com a informação conhecida.

A sabedoria tem características totalmente diferentes, pois não pode existir sem que se expresse na qualidade dos relacionamentos e das ações. Por isso, a sabedoria é sempre prática. Onde quer que haja uma divergência entre pensamento e ação, teoria e prática, haverá ausência de sabedoria.

Isso seria o mesmo que alguns estudiosos do Zen-Budismo nos ensinam, tudo o que está fora diz ao individuo que ele não é nada, ao passo que tudo o que está dentro o persuade, você é tudo.

Autoconhecimento e Vocação

O conhecimento do ser traz um sentimento sem igual, mas isso nos dias de hoje é para poucos, pois apesar de estar disponível a todos, será um presente apenas para aqueles que ousarem olhar profundamente para o mais íntimo recesso do próprio ser, nesse estado ele é senhor de si, onde quer que se encontre, procede com fidelidade a si mesmo. Esse ser, D.T.Suzuki chamou de “artista da vida”. Apesar de estranho o termo, o autor nos presenteia com mais pérolas sobre esse “artista da vida”. Para ele todos nós somos, nascemos artistas da vida, e por ignorá-lo, a maioria deixa de sê-lo, e o resultado é que fazemos uma embrulhada das nossas existências, perguntando, “Qual é o significado da vida? Para onde vamos? Seriam todos neuróticos por causa disso? Seria mais prudente cada um tirar a sua própria conclusão. Voltando ao Zen ele nos ensina que todos nos nascemos artistas criativos da vida e que nos basta compreender esse fato e essa verdade para ficarmos curados da neurose, da psicose e de grande parte das enfermidades que nos aflige. Espiritualmente falando podemos dizer que quando nós vivemos algo diferente daquilo que é a vontade do nosso “eu superior”, quando desviamos desse caminhar, o nosso EU tende a se afastar dos corpos, não completamente, mas o quanto pode, começando então a apresentar estados de angustia e ansiedade e conseqüentemente os estados depressivos tão comuns nos dias de hoje, falaremos mais detalhadamente sobre essa questão e algo que nos interessa bastante, a vocação, em outros artigos.

Se de um lado o artista precisa usar um instrumento para expressar e demonstrar a sua faculdade criadora, o artista da vida tem todo o material, todos os instrumentos, toda a habilidade técnica que ele precisa está com ele desde o instante do seu nascimento, ou melhor, estão no próprio ser, antes mesmo da concepção.

Para uma pessoa assim, a vida reflete todas as imagens que ela cria, tirando-as da sua fonte inesgotável do inconsciente, cada um de seus atos exprime a originalidade do criador, não existe nela qualquer convencionalismo, conformidade ou motivação que o iniba. Esse ser vive como bem entende e seu comportamento é como o vento. O seu eu não é limitado, restrito nem mesmo egocêntrico, essa prisão ficou para traz, pois o seu eu tocou a fonte das possibilidades infinitas.

Na Teosofia R.Burnier ensina nessa mesma linha “A vida é extremamente criativa, e funciona renovando-se de modo inimaginável e surpreendente em todos os lugares onde está presente. Seu modo de crescer ou desenvolver-se jamais pode ser previsto por uma mente pessoal, pois a força criativa não pode ser compreendida dentro dos limites das atividades mecânicas do pensamento“.

Falando assim fica fácil, até que fica mesmo, porém a realidade para alcançar tamanho estado de solitude, requer muito trabalho, dedicação e acima de tudo   comprometimento, principalmente com a verdade, essa última como virtude.

Autoconhecimento e Virtude

A virtude aqui é essencial, pois o mundo de hoje a escondeu, para não dizer a renegou, aqui podemos nos lembrar dela em Spinoza: “Por virtude e poder entendo a mesma coisa, isto é, a virtude, enquanto se refere ao homem é a própria essência ou a natureza do homem, enquanto ele tem o poder de fazer certas coisas que se podem conhecer apenas pelas leis de sua natureza”.

A virtude é parte de nossa essência desde Aristóteles como sendo uma disposição adquirida de fazer o bem, para mim ela é o próprio bem, em espírito e em verdade, portanto quer conhecer-se, comece pela virtude, sem virtude não é possível avançar neste caminho. Pior ainda não são as dificuldades do caminho, mas ter que retornar dele sem sequer ter saído do lugar, pois a ausência da virtude é a chave mais rápida para a ilusão de que se avança sem evoluir, de que se conhece sem ter consciência.

A nossa existência é baseada na razão que hoje não consegue explicar tudo, basta olharmos ao nosso redor, a impotência desta em explicar os paradigmas da atual sociedade são notórios, além disso, a corrupção da vida na razão de uma existência desviada afastou ainda mais o ser humano da sua essência.

O homem tem atribuído, desde há muito, a causa do mal e do sofrimento a circunstâncias externas. Há séculos as pessoas têm tentado modificar sistemas, teorias, políticas e um sem número de coisas, exceto elas mesmas. Pouquíssimos são os que admitem que os problemas do mundo não possam ser solucionados mudando o curso da história e a organização da sociedade, a solução está nos criadores do problema, ou seja, no próprio homem.

Só o indivíduo que se preparou através do estudo profundo, que inclui a observação da Natureza externa e da natureza humana, é capaz de aprender a servir no sentido verdadeiro, como o próprio imperativo categórico de “ser bom” de Kant, “Age de tal maneira que o motivo que o levou a agir possa ser convertido em lei universal”.

Assim, o autoconhecimento é tanto negação como descoberta, e tanto renúncia como realização. É a negação do apego e da ilusão, e a descoberta da natureza verdadeira e dos poderes da vida interior. Esse conteúdo, a memória acumulada, é o EU que, por sua vez, não é uma entidade independente do conteúdo acumulado a mente precisa estar completamente vazia para receber; mas a ânsia de se esvaziar para receber é um obstáculo profundamente arraigado, e isto também precisa ser compreendido como um todo, não em qualquer nível específico.

Finalizo então com as palavras de Pascal e podendo também ser lido em Agostinho, Kierkegaard, Goethe, Krisnamurti, Nélida Piñon, entre muitos outros, cada qual da sua maneira é claro “Ninguém encontrará a Deus se não encontrar a si mesmo e ninguém encontrará a si mesmo se não encontrar a Deus”, já que o real conhecimento Não é um estado mental e sim um estado espiritual que implica plena união entre o conhecedor e o conhecido.

Aos poucos falaremos um pouco sobre os diversos caminhos que estão a nosso dispor nessa busca e esse artigo é o primeiro de um blog (conhecetiatimesmo.wordpress.com) em que falarei exclusivamente desse tema, tomando como base minhas leituras e minha vivência pessoal e espiritual, pelos caminhos que enveredei nos últimos anos.

Nesse blog contarei também com a ilustre colaboração de minha esposa, uma adorável amante das letras.

Hebhert Oliveira – Natureza Celestial

Os essênios – Os Terapeutas do Deserto

Eles respeitavam a vida acima de tudo, escreveram os mais antigos textos
bíblicos e influenciaram o cristianismo.

Em 1923, o húngaro Edmond Szekely obteve permissão para pesquisar os arquivos secretos do Vaticano. Estava à procura de livros que teriam influenciado São Francisco de Assis. Curioso e encantado, vagou pelos mais de 40 quilômetros de estantes com pergaminhos e papiros milenares. Viu evangelhos nunca publicados e manuscritos originais de muitos santos e apóstolos, condenados a permanecer escondidos para sempre. De todas essas raridades, uma obra em especial lhe chamou a atenção. Era o Evangelho Essênio da Paz. O livro teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o principal líder de uma seita judaica até então pouco comentada – os essênios. Szekely não perdeu tempo. Traduziu o texto e o publicou em quatro volumes. Sentindo-se traída pelo pesquisador, a Igreja o excomungou.
Não foi uma punição tão grave. Considere o que aconteceu com o reverendo inglês Gideon Ouseley. Em 1880, ele achou um manuscrito chamado O Evangelho dos Doze Santos em um monastério budista na índia. O texto em aramaico – a língua que Jesus falava – teria sido levado para o Oriente por essênios refugiados.

O Manuscrito achado no Vaticano afirma que Jesus era essênio e vegetariano

Ouseley ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o verdadeiro Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta, pois Cristo era um essênio que defendia a reencarnação e o vegetarianismo. Se hoje essa tese soa estranha, dizer isso na Inglaterra vitoriana do século XIX era blasfêmia da pior espécie. Resultado: os conservadores atearam fogo na casa de Ouseley e o original foi destruído.
O mistério que envolve esses dois textos e o tom místico que os descobridores deram aos seus achados acabaram manchando seu crédito diante dos historiadores. Além do mais, teorias exóticas sobre Jesus é o que não falta.
Para os historiadores, os essênios seriam até hoje uma note de rodapé na História se, em 1947, dois pastores beduínos não tivessem por acidente levado a uma das maiores descobertas arqueológicas do século. Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto, em Israel, 813 manuscritos redigidos pelos essênios entre 225 a.C.

Fragmento de um dos 813 manuscritos redigidos pelos essênios entre 225 a.C. e 68 d.C.

E o ano 68 da nossa era guardavam as mais antigas cópias do Antigo Testamento, calendários e textos da Bíblia. Perto das cavernas, em Qumran, estavam as ruínas de um monastério essênio e um cemitério com cerca de 1200 esqueletos, quase todos masculinos.
O achado deu início a um longo e árduo esforço de tradução dos manuscritos por teólogos e cientistas de várias universidades no mundo. Milhares deles estavam em pedaços minúsculos, menores do que uma unha. “Hoje, 90% dos textos já foram transcritos”, diz o teólogo Geza Vermes, da Universidade de Oxford, que pesquisa os manuscritos.
O surgimento da doutrina essênia aconteceu em tempos conturbados. Os judeus viveram sob dominação de diversos povos estrangeiros desde 587 a.C., quando Jerusalém foi devastada pelos babilônios, habitantes da atual região do Iraque. Por volta do século II a.C., o domínio era exercido pelos selêucidas, um povo grego que habitava a Síria. A cultura helenista proliferava e a tradição hebraica sofria fortes ameaças. Para recuperar o judaísmo, os israelitas acreditavam na vinda do Messias que chegaria ao final dos tempos para exterminar os infiéis e salvar os seguidores da Bíblia. A chegada do Salvador poderia se dar a qualquer instante.

Os monges do deserto tinham obsessão pela pureza e pela disciplina

É possível conhecer o dia-a-dia dos essênios a partir do legado do historiador judeu Flávio Josefo (37-100). Aos 16 anos Josefo recebeu lições de um mestre essênio, com quem viveu durante três anos. Os membros da seita acordavam antes do nascer do sol. Permaneciam em silencio e faziam suas preces até o momento em que um mestre dividia as tarefas entre eles de acordo com a aptidão de cada um.
Trabalhavam durante 5 horas em atividades como o cultivo de vegetais ou o estudo das Escrituras. Terminadas as tarefas, banhavam-se em água fria e vestiam túnicas brancas. Comiam uma refeição em absoluto silêncio, só quebrado pelas orações recitadas pelo sacerdote no início e no fim. Retiravam então a túnica branca, considerada sagrada, e retornavam ao trabalho até o pôr-do-sol. Tomavam outro banho e jantavam com a mesma cerimônia.
A correta observação das regras garantiria a salvação dos essênios quando chegasse o apocalipse, que seria a vitória dos puros “filhos da luz” contra os “filhos das trevas”. No mundo essênio, aliás, tudo era dividido segundo uma visão maniqueísta que tornava possível até mesmo determinar quantas porções de luz e de escuridão cada um possuía. Para os essênios, a beleza do corpo também era sinal de pureza espiritual.
Graças a essa organização toda, Qumran produzia tudo de que precisava. A dieta era vegetariana. Os essênios tinham um enorme respeito pela natureza. Nenhum homem poderia sujar-se comendo qualquer criatura viva. A regra permitia uma única exceção. Eles podiam comer peixe, desde que fosse aberto vivo e tivesse seu sangue retirado. As refeições eram frugais, com legumes, azeitonas, figos, tâmaras e, principalmente, um tipo muito rústico de pão, que quase não levava fermento. Eles possuíam pomares e hortos irrigados pela água da chuva, que era recolhida em enormes cisternas e servia como bebida. Além dela, as bebidas essênias se resumiam ao suco de frutas’ e “vinho novo”, um extrato de uva levemente fermentado. No shabbath, os sectários deveriam passar o dia inteiro em jejum. Os hábitos alimentares frugais e a vida metódica dos essênios garantiam-lhes uma vida saudável. Segundo Josefo, muitos deles teriam atingido idade extraordinariamente avançada.

As cavernas de Qumran, em Israel, onde beduínos encontraram, em 1947, os mais antigos textos bíblicos de que se tem notícia

A água também era canalizada para os banhos rituais, que eles tomavam duas vezes ao dia para se redimir dos pecados e das impurezas do corpo. O ritual consistia em relatar todas as faltas e então submergir. “Essa prática influenciou o batismo e a confissão dos católicos”, diz a historiadora Ruth Lespel, da Universidade de São Paulo. Outro ponto em comum entre os essênios e o catolicismo seria a figura de São João Batista, o profeta que batizou Jesus Cristo. O santo promovia batismos no Rio Jordão numa região próxima a Qumran. Sua postura messiânica era muito próxima à dos essênios. Há quem acredite que, quando foi batizado, Jesus teria visitado o monastério e sido influenciado por sua doutrina.

Há outras relações entre essênios e cristãos. “Existem passagens dos Manuscritos do Mar Morto, aqueles encontrados em 1947 nas cavernas de Qumran, que soam como as do evangelho cristão”, afirma James Vanderkam, da Universidade de Notre Dame, Estados Unidos. Traços da doutrina dos primeiros seguidores de Jesus – como o elogio de uma vida humilde, a proibição do divórcio e a invocação a Deus como um pai – têm ressonância na fé de Qumran. “É possível que essênios e cristãos tenham entrado em contato”, diz o cônego Celso Pedro da Silva, do Mosteiro da Luz, em São Paulo.
Quanto a Jesus Cristo, apesar das descobertas e polêmicas levantadas por Ouseley e Szekely, não há nos manuscritos encontrados nas cavernas do Mar Morto uma única menção a ele. É por isso que o maioria dos pesquisadores duvida da teoria de que Jesus tenha se aproximado dos essênios.
“Não existe nenhuma evidência concreta disso”, diz o historiador Nachman Falbel, da USP Para o exegeta Valmor da Silva, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Jesus pode ter recebido influência das mais diversas correntes do judaísmo, inclusive deles. “Mas não dá para garantir que ele tenha freqüentado uma de suas comunidades”.
Fernando Travi, líder da pequena igreja essênia do Brasil, tem um ponto de vista oposto ao de Vanderkam. “Cristo pregava o amor a todos os seres vivos e não matava animais para aliviar a sua fome”, afirma. Assim como ele, os seguidores de Szekely e Ouseley duvidam da veracidade das passagens do Novo Testamento em que Jesus se alimenta de carne.
Eles acreditam que essas histórias não passam de invenções criadas pelo apóstolo Paulo, já na segunda metade do século I. A doutrina do vegetarianismo não seria bem recebida pelos judeus, acostumados a fazer sacrifícios e a comer carne, e Paulo teria modificado os evangelhos para tornar o cristianismo mais popular. Um exemplo dessas alterações estaria na passagem do Novo Testamento em que Jesus multiplica pães e peixes para alimentar uma multidão. O Evangelho dos Doze Santos, encontrado por Ouseley traz uma outra versão desse milagre, na qual os peixes são substituídos por uvas.
No ano de 68 o monastério de Qumran foi aniquilado numa devastadora investida do exército romano que arrasou a Judéia e destruiu Jerusalém. O ataque era dirigido principalmente aos judeus zelotes, que se insurgiram contra o domínio romano. Qumran, que não era nenhuma fortaleza, foi presa fácil para as legiões do César. Mas nem todos os essênios morreram aí. Alguns fugiram para Massada onde, aí sim, no ano de 73, descobriram o que é um final trágico. O esconderijo, uma fortaleza zelote ao sul de Qumran, localizada no alto de uma colina, parecia impenetrável. Mas 15000 romanos fizeram um cerco que durou dois anos e metodicamente construíram uma rampa de terra e areia para alcançar o topo da fortaleza. Quando os soldados finalmente invadiram Massada tiveram uma surpresa: todos os 1000 rebeldes estavam mortos. Em um sorteio, os zelotes haviam escolhido um grupo de soldados para assassinar todos os habitantes da fortaleza e, em seguida, cometer suicídio. Eles preferiram morrer entre os judeus a se tomar escravos dos romanos. Sobraram para contar a história apenas duas mulheres e cinco crianças, que haviam se escondido nos reservatórios de água. O episódio foi relatado por Josefo e provou ser verdadeiro em 1965, quando arqueólogos pesquisaram a região. Eles acharam as marcas dos oito acampamentos romanos e peaços de cerâmica com inscrições dos nomes dos zelotes, utilizados no dramático sorteio.

Filosofia enterrada na areia

Um pouco antes de um ataque romano destruir o monastério de Qumran, os essênios esconderam seus manuscritos em potes de cerâmica e os enterraram em cavernas. Segundo Josefo, os essênios existiam em grande número em diversas cidades da Judéia. Mas algumas variações da seita podem ter ocupado regiões ainda mais distantes. Uma comunidade egípcia do século 1, os terapeutas, possuía um modo de vida semelhante ao da seita de Qumran e a mesma divisão entre luz e trevas. Também é possível que ebionitas e nazarenos, duas das primeiras seitas cristãs, sejam descendentes dos essênios. Há quem acredite que os nazarenos formaram uma grande comunidade em Monte Carmel, no norte da Israel atual, que seguia os ensinamentos de Qumran, mas com algumas diferenças. As regras seriam muito próximas daquelas encontradas nos escritos de Szekely e Ouseley. Ao contrário de Qumran, eles não praticavam o celibato e até mesmo formavam famílias. Fanáticos pelo princípio de amar todos os seres vivos, eram muito mais rigorosos em relação ao vegetarianismo: não comiam peixes nem matavam os vegetais para comer (comiam folhas de alface, por exemplo, sem arrancar o pé!).

Para os essênios, as refeições devem ser uma Comunhão com Deus

“Eles viviam em tendas, que mudavam Del lugar freqüentemente, pois construções permanentes matariam a relva”, afirma Fernando Travi. Ele acredita que Jesus, apesar de ter passado por Qumran, viveu muito mais tempo em Monte Carmel. A região em que teria existido essa comunidade está próxima ao local em que Jesus nasceu e realizou muitos de seus milagres. Afirma também que Cristo não era conhecido como “Jesus de Nazaré”, mas sim como “Jesus, o Nazareno”.
Algumas dessas comunidades essênias existem, de certa forma, até hoje.

A Filosofia Essênia

Szekely pesquisou o pensamento dos essênios durante toda a vida. Uma de suas principais obras é a tradução de um manuscrito encontrado em 1785 pelo historiador francês Constantine Volney em viagens pelo Egito e pela Síria. É um diálogo entre Josefo e o mestre essênio Banus a respeito das leis da natureza. Eis alguns trechos:
Bem – Tudo aquilo que preserva ou produz coisas para o mundo, como “o cultivo dos campos, a fecundidade de uma mulher e a sabedoria de um professor”.
Mal – O que causa a morte, como a matança de animais. Por esse motivo, o sacrifício de bichos, mesmo que para a alimentação, é condenável.
Justiça – O homem deve ser justo porque na lei da natureza as penalidades são proporcionais às infrações. Deve ser pacífico, tolerante e caridoso com todos, “para ensinar aos homens como se tornarem melhores e mais felizes”.
Temperança -Sobriedade e moderação das paixões são virtudes, pois os vícios trazem muitos prejuízos à saúde.
Coragem – Ela é essencial para “rejeitar a opressão, defender a vida e a liberdade”.
Higiene – Uma outra virtude essencial dos essênios é a limpeza, “para renovar o ar, refrescar o sangue e abrir a mente à alegria”.
Perdão – No caso de as leis não serem cumpridas, a penitência é simples. Banus afirma que, para se obter perdão, deve-se “fazer um bem proporcional ao mal causado”.
Na região sul do Iraque e do Irã, cerca de 38000 pessoas, os mandeans, mantêm uma tradição muito semelhante à doutrina essênia. Eles afirmam ser seguidores de João Batista e praticam o batismo. Sua origem, no entanto, ainda não é de todo compreendida.
No Ocidente, o essenismo surgiu com a divulgação dos escritos de Szekely e Ouseley. Na sua época, Szekely quase abandonou seus planos de difundir a doutrina quando a tradução rigorosa e detalhada que fez do segundo volume do Evangelho Essênio da Paz não contou com a aprovação de um amigo seu, o escritor Aldous Huxley. A critica abalou Szekely e ele pôs de lado o trabalho durante muito tempo. Mas, anos mais tarde, seguiu o conselho do amigo e reescreveu o manuscrito inteiro em linguagem contemporânea, mais coloquial.

Foi um sucesso. O livro, publicado em 1928, já foi traduzido para dezenas de línguas e vendeu milhões de exemplares em todo o mundo. Com o respaldo editorial, Szekely construiu em 1940 um spa no México onde praticava tratamentos com base nas práticas essênias. Cerca de 350.000 pessoas já se hospedaram no chamado Rancho La Puerta nos seus sessenta anos de existência. Até hoje, muitas pessoas vão ao lugar em busca de um estilo de vida baseado nos ensinamentos de Szekely, que inclui exercícios, meditação e, principalmente, dieta vegetariana.
A alimentação possui um papel central na doutrina encontrada nos evangelhos de Szekely e Ouseley. Ao afirmarem que Jesus era frugívero, ou seja, que ingeria apenas alimentos que não significavam a morte de nenhum ser vivo, como folhas e frutos, eles pregam que as refeições devem ser um momento de compaixão e comunhão com Deus. O contato com a natureza é essencial.
Tanto que os novos essênios possuem uma planta em todos os cômodos da casa.
Os essênios permanecem como um assunto vivo. Os pergaminhos e evangelhos que eles deixaram são exaustivamente estudados por cientistas e religiosos do mundo inteiro. Seus ensinamentos recrutam milhares de fiéis e, qualquer que seja a relação que mantiveram com Cristo, deixaram, sem dúvida, sua influência impressa no coração e na mente do cristianismo.

Os Essênios Hoje

Em 1984, o teólogo e filósofo americano Abba Nazariah fundou a Igreja Essênia de Cristo na cidade de Creswell, no Estado do Oregon, Estados Unidos. Tudo começou em 1966, quando tinha apenas 8 anos de idade. Naquele ano, Abba, que então se chamava David Owen, teria recebido a visita de Jesus Cristo, que, em carne e osso, teria lhe passado a missão de preparar a sua segunda vinda à Terra. Mais tarde, com 17 anos, Owen teria encontrado um egípcio de nome Zadok pedindo carona numa estrada da Califórnia, sentado na posição de lótus-a mesma do Buda. Ele afirmava ser um essênio e acabou ajudando Owen a formar a nova igreja.

Abba Nazariah

Desde então, Abba (o nome significa “pai” em aramaico) tem professado sua teoria e recrutado muitos seguidores. Seus adeptos vivem hoje de acordo com os ensinamentos contidos nas obras de Szekely e Ouseley. Diferentemente dos antigos habitantes da Judéia, os fiéis de hoje não habitam monastérios, mas, assim como os que os precederam, estudam com rigor as escrituras sagradas e reservam o shabbath ao descanso e às orações.
Os novos essênios são despojados. Vestem-se de branco, usam barba longa e cabelos que em alguns casos tocam o chão. Pregam uma vida saudável que passa por uma dieta absolutamente vegetariana e por exercícios espirituais. Fazem relaxamentos, meditações e preces. O reverendo Abba Nazariah foi treinado em várias técnicas de Yôga, com especial ênfase no que considera a mais holística e compreensível de todas, a ioga essênia – uma união de dezesseis modalidades da prática indiana. “A saúde depende do amor por todos os seres. Inclusive pelos animais”, diz o líder dos essênios americanos.

Extraido de reportagem na Revista Super Interessante

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